As cores falam todas as línguas

Quem disse essa bela frase do título foi o poeta inglês Joseph Addison (1672 – 1719) e por isso você já deve ter percebido que vamos falar sobre cores, mas antes de você seguir em frente, gostaria que assistisse o vídeo abaixo.

Se você não entende inglês, não tem problema. O que você precisa saber na verdade é que o nome desse rapaz é Ethan e ele é daltônico. Ele mesmo explica no começo do vídeo que isso não significa que ele vê o mundo em preto e branco, mas sim de uma maneira mais “sem graça” do que a maioria de nós:

O que na verdade acontece é que Ethan ganhou um par de óculos chamado Enchroma, que permite que ele veja as cores como elas realmente são pela primeira vez. Algo que para nós é tão banal, para o Ethan é como voltar a ser criança. Já imaginou como seria não enxergar cores?

Cor basicamente é um estímulo de luz recebido pelos nossos olhos (e somente pelos olhos) e interpretado pelo nosso cérebro. Falando assim parece uma simples definição para uma prova de vestibular, por isso vamos tentar ir um pouquinho mais além (quem sabe até em mais de um post).

Percepção da cor

O que é laranja pra mim, é laranja pra você que é laranja para um budista, mas na verdade o que queremos dizer com isso é que o estimulo da cor laranja produz a mesma resposta para todos nós: a cor laranja.

Contudo, será que esse laranja significa a mesma coisa para nós 3? Isso vai depender de você, de mim e do budista. O significado que atribuímos as cores difere totalmente entre culturas e indivíduos.

Para os budistas, o laranja presente nas togas monásticas significa humildade. Apesar da cultura budista ser abundante em cores, o laranja foi escolhido para indicar o comprometimento com o aprendizado e o crescimento espiritual dos monges.

Para mim por exemplo, o laranja remete ao calor, à praia e ao verão. Bem diferente, não?Não quer dizer que o budista está errado ou eu estou errado. São apenas percepções e os contextos culturais que estamos inseridos.

Design em cores

Quando falamos de design (seja ele impresso ou digital), existem inúmeros estudos sobre que tipo funciona melhor para esse ou aquele tipo de público. Seria absurdo invalidar aqui qualquer um desses estudos, mas você nunca pode deixar de lado a percepção que cada indivíduo vai ter sobre aquele material que você acabou de fazer.

Uma, duas, três cores ou mesmo uma paleta pode significar algo completamente diferente para cada um.

Vou propôr inclusive o seguinte: comece a reparar no tipo de sensação que as cores transmitem a você. Depois, peça a alguém que você conhece (se tiver uma outra bagagem cultural, melhor ainda!) que faça o mesmo teste. Com certeza a maioria das respostas serão diferentes.

Enxergar cores é uma das grandes armas do designer e entender a influência de cada uma delas em contextos diferentes pode ser a sua carta na manga. Afinal, segundo o filósofo francês Maurice Merleau-Ponty (1908-1961) ver cores é um fenômeno duplo: m encontro com um mundo e um encontro com si mesmo. *

(Citação tirada do livro “O Guia Completo da Cor” de Tom Fraser e Adam Banks, que ultimamente é a minha bíblia sobre cores)

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1 comentário Adicione o seu

  1. Chell disse:

    Ótimo texto Singula 🙂
    Também lembrei da cor preta e branca pra luto, acho que no Japão é branco né? E vermelho pra casamento 🙂

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