Só o briefing salva?

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Esse texto na verdade é uma atualização de um texto que publiquei no portal Design Vale em junho do ano passado, mas que de qualquer forma é um assunto que rende muitos e muitos posts.

Um tempo atrás, li o Raciocínio Criativo na Publicidade do Stalimir Vieira, dica do Heitor Turci (grande amigo, grande profissional e também era colunista no Design Vale).

O autor comenta sobre um assunto que pra quem sonha em trabalhar em agências de propaganda (e de comunicação interna também) é muito importante: o briefing.

O briefing (de forma extremamente resumida, a ideia não é discutir a sua definição no momento) é aquele conjunto de informações essências que você vai precisar antes de começar um job, seja ele um cartão de visitas ou um projeto gráfico de uma revista.]

Ele deve fornecer todo o histórico que você precisa para entender a necessidade ou o problema do seu cliente, para que assim você ofereça a solução mais adequada. E quando falamos disso, sempre é um assunto um pouco polêmico, pois entramos naquela briga criação x atendimento sobre a qualidade de um briefing bem feito.

Contudo, você e o atendimento já pararam pra pensar se só um briefing bem feito resolve?

O que Stalimir trata de forma muito didática é que só isso não resolve. Isso é algo que sempre aprendi nos lugares e com pessoas com quem que trabalhei e por isso tenho um ponto de vista muito parecido com o autor.

O briefing é metade do caminho andado (e de forma alguma estou desmerecendo a necessidade de um briefing bem feito, ele deve existir sempre que possível e devemos batalhar todos os dias para manter sua qualidade). E o que é a outra metade? Você.

Sim, a outra metade do caminho é você.

A realização de um bom job depende 50% de um bom briefing e 50% de toda sua bagagem acumulada (e obviamente, da sua compreensão dele). Bagagem que eu digo não é só o que você aprendeu na faculdade ou cursos livres, mas também o que você viveu até o momento que aquele trabalho caiu na sua mão ou chegou na sua caixa de e-mail.

Músicas que você gosta muito, uma fotografia do seu avô que ficou gravada na sua memória, o cheiro da comida favorita da sua mãe ou aquela viagem internacional que você fez ano passado. Tudo isso pode te ajudar naquela hora que você está sentado com o redator (ou com o diretor de arte, se você é redator) e a inspiração parece que não vem.

Digo isso porque todas essas coisas que parecem não ter importância no horário de trabalho ajudam a exercitar a sua criatividade e sensibilidade.

Como?

Acumule referências, dessa forma você enriquece seu repertório (e os seus 50% já estão garantidos!). Assim, de repente você está pesquisando digamos para um anúncio de uma joalheira e aquela música que sua avó gostava de escutar vêm a sua mente e tudo parece resolvido. Acredite, isso acontece (e vai acontecer) muito mais do que você imagina e muitas vezes até de maneira inconsciente. Você só sabe que funciona.

Separe parte do seu dia (por exemplo antes do expediente no trabalho começar), apenas para procurar e acumular referências de coisas que te interessam.

Por isso a próxima vez que você receber um briefing, lembre-se que ele está fazendo a parte dele e por isso você também tem que fazer a sua. E se você se pegar pensando “Eu não sou criativo”, lembre-se sempre que todos nós somos. A diferença é quanto você exercitou e vai exercitar toda essa criatividade ao longo da sua carreira e da sua vida.

Aí depende de você.

Photo credit: smohundro via Visualhunt / CC BY-NC-SA

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