Não é magia, é infografia

Para retomar alguns postes mais técnicos, para essa semana escolhi um assunto que foi destaque nas redes sociais e nos jornais pelo país, apesar de sua história recente no Brasil que é a infografia.

Se nunca ouviu, com certeza um dia irá ouvir a seguinte frase: “Faz um e-mail marketing no estilo de um infográfico pra mim?”

Minha pergunta é: infografia é só um estilo gráfico?

No meu tempo…

Quando falamos de infografia estamos falando de visualização de dados e a origem da visualização está na cartografia. Os mapas são a primeira forma de visualização que temos conhecimento e é uma das poucas formas que acompanharam todos os desenvolvimentos tecnológicos da humanidade. Tanto é que em 2015 ainda utilizamos serviços como google maps e o waze para andarmos de carro ou de bicicleta.

Com o desenvolvimento das cidades e da própria sociedade, os mapas começaram a ganhar mais complexidade a partir de dados como demografia, economia e geologia. Assim, novas formas de visualização começam a aparecer.

Um grande exemplo da importância da visualização de dados (que aqui já é classificada como infografia moderna por Mário Kanno em seu livro “Infografe”) é o caso de Florence Nightingale em 1857. Florence era enfermeira responsável por um hospital inglês que recebia feridos da guerra da Criméia e o que ela começou a observar era o grande número de mortos no local.

Contudo, por ser amante da matemática, Florence conseguiu através de gráficos e dados provar que o número de soldados mortos era muito maior por conta de doenças do que por conta de ferimentos de guerra devido as péssimas condições nos campos de batalha e hospitais.  A partir disso, a enfermeira emplacou uma grande campanha para melhorar as condições sanitárias dos soldados em guerra.

nightpiechart2

(fonte: http://www.cientec.or.cr/equidad/nightpiechart2.gif)

Quem é esse pokémon?

Com o desenvolvimento das tecnologias, as pessoas passaram a se locomover mais, se comunicar mais, viajar mais e ler mais. O que significa também um aumento enorme no volume de informação que recebemos. Estamos assim, na era da informação.

Assim, a infografia passou por uma série de evoluções principalmente com a chegada dos computadores pessoais, mas a mais importante delas veio com os próprios leitores.

Se antigamente tínhamos apenas uma fonte de informação principal que era o jornal impresso ( e o mesmo era 100% apenas texto), hoje em dia se uma matéria de jornal não informa o necessário, temos outras infinitas fontes para abastecer aquele conteúdo específico.

Seria o fim do jornal impresso?

Aí que entra a nossa infografia. Ela veio na verdade para melhorar a qualidade da informação que os leitores de jornais recebiam, assim não precisariam recorrer a outro tipo de fonte de informação.

Isso se acentuou muito no Brasil na década de 70 após uma crise que causou o aumento no preço do papel e diminuiu drasticamente o número de veículos em circulação no país.

Com isso, criou-se a necessidade de reinventar a forma com que os jornais se comunicavam com os leitores.

Oras, mas se estamos falando de uma atividade que surgiu dentro das redações e que os designers passaram a trabalhar em conjunto com os jornalistas, em nenhum momento podemos esquecer que estamos falando de uma matéria jornalística e que por isso deve passar por todo processo de uma matéria que será publicada.

Em seu livro “Infografia: História e Projeto”,  que traça desde a história até o o processo de construção de um infográfico, Ary Moraes cita alguns princípios definidos na construção do campo da infografia que na minha opinião devem ser seguidos como um manual. O último deles é o mais interessante:

Infográficos não são ilustrações ou arte.
Infográficos são jornalismo visual e devem se orientar
pelos mesmos padrões éticos que se aplicam a outras
áreas da atividade.

Apesar de estar na moda (confesso que estava mais quando esse texto foi publicado), Infografia não é só um estilo bonito para fazer gráficos, e-mails e apresentações (existem outras formas de fazer isso). Fazer um infográfico pede todo um embasamento de fontes, pesquisa e apuração como qualquer outra matéria jornalística (e uma pitadinha de design).

Texto originalmente publicado na coluna Start do portal Design Vale.

Photo via VisualHunt.com

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s