Momento Comic Sans

Quando falamos de design, estamos sempre falando de projeto.

Um projeto bem sucedido vai muito além de somente uma peça bonita. Ele depende de fazer as escolhas certas no momento certo e mais importante no contexto certo. Tipografia é um assunto incrível e algo que me fascina e assusta todos os dias e por isso inauguro esse tópico aqui no blog da melhor maneira possível: com a Comic Sans.

Ela talvez seja a fonte mais controversa desde que entrei na área do design e isso porque acabou de entrar na sua vida adulta (em 2016 a fonte completou 22 anos). Certa vez enquanto eu estava fazendo minha destruição habitual da Comic Sans em um curso que ministrei, um grande amigo me perguntou: “Por que você odeia a Comic Sans?”.

Imagine agora aquele som de erro do windows quando você consegue a proeza da tela azul (se estiver com dificuldades pra imaginar ou não se lembrar, é só ver por aqui).

Eu simplesmente não tinha qualquer tipo de argumento a não ser esse ódio mortal que todo designer simplesmente tem e não sabia o que responder. Acabei rindo e respondendo: “Não sei”. Depois disso comecei a buscar mais informações e argumentos para pelo menos entender melhor do que estava falando e qual a origem daquele ódio todo.

O pai da Comic Sans

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Esse senhor de 54 anos é Vincent Connare. Nascido em Boston, Connare trabalha profissionalmente no setor de software de fonte para produção de projetos de empresas há mais de quinze anos. Foi funcionário da Microsoft na década de 90 e atualmente trabalha em um estúdio tipográfico independente chamado Dalton Maag. Vincent foi o responsável pela criação da fonte Trebuchet MS e da fonte, como ele mesmo denomina “mais amada e odiada do mundo inteiro”: a Comic Sans.

E como nasceu?

Connare trabalhava na Microsoft quando em 1993, pediram a ele que avaliasse as novas fontes dos programas que sairiam no mercado. Quando ele ligou o computador, deu de cara com o Microsoft Bob, que nada mais era do que um cachorro que aparecia na tela do computador e falava com você em pequenos balões como nas histórias em quadrinhos, mas essas falas eram escritas em Times New Roman.

Vincent avaliou que o ideal seria que as falas fossem escritas numa fonte que remetesse à informalidade das histórias em quadrinhos e não fosse tão séria quanto a Times New Roman. Connare nada mais fez do que escolher o caminho adequado para o contexto adequado. Nada mais justo, afinal estamos falando de um personagem de quadrinhos.

O programa acabou saindo sem a fonte, mas a Comic Sans foi incluída em um pacote adicional para o Windows 95.

De lá pra cá…

De lá pra cá seu uso exagerado em diversos tipos de materiais têm causado a fúria de designers e profissionais da tipografia. Desde fachadas de delegacia até cardápios de restaurante, a Comic Sans sempre garante seu espaço.

Se a Times New Roman não era a escolha certa para o cachorro Bob, pensando apenas no contexto, a Comic Sans se encaixa perfeitamente tanto por seu estilo como por sua leiturabilidade e legibilidade (se ela é bonita ou não, aí entramos em outra questão muuuuuuuito mais pessoal). E é isso que buscamos com o design e com a tipografia: atingir o público da maneira certa.

Por isso, hoje quando me perguntam sobre ela eu sempre respondo: “Dá pra usar sim, mas saiba onde você está usando”.

Pense em um livro infantil, uma apresentação de mascotes de uma campanha para seu cliente ou um fanzine que você vai imprimir na impressora do seu quarto. Nesses contextos que a Comic Sans se encaixa.

Quem sabe a Comic Sans não vai ser a fonte do seu próximo projeto?

(Obs: E se você usar, manda pra gente ver!)

Post originalmente publicado na coluna START no portal Design Vale.

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