Saí pro mercado, e aí?

Em uma conversa rápida com a minha querida amiga Chell,  ela comentou que participou de uma mesa redonda sobre faculdade e mercado de trabalho. Basicamente foram discutidos pontos positivos e negativos do que os alunos vão encontrar (ou não) quando chegarem ao mercado de trabalho.

Por isso, esse tópico me inspirou para o post de hoje. Em algumas linhas vou falar um pouquinho das dificuldades que encontrei e das expectativas que eu tive quando saí da faculdade e entrei no mercado (talvez você encontre algo parecido). Só para esclarecer, para quem está lendo o blog pela primeira vez, eu não sou um designer ou publicitário por formação. Sou formado em Midialogia pela Unicamp, por isso provavelmente haja algumas divergências de designers que já estão ou vão entrar no mercado.

a) O cargo que você vai ter é apenas um nome, e nada mais.
Você pode me questionar que estou dizendo isso apenas porque já estou ocupando um cargo importante na agência em que trabalho, mas o que quero dizer é que ter apenas o cargo (ser diretor de arte, por exemplo), não deve ser seu objetivo final, mas sim uma consequência do seu trabalho. Eu saí da faculdade com uma imagem errada que conseguiria ser diretor de arte num curto espaço de tempo, mas num mercado tão competitivo quanto o de design e das agências de propaganda, isso gerou uma frustração muito grande nos primeiros meses de carreira.

b) Tem outras mil pessoas dizendo que fazem o que você faz.
Esse ponto reforça um pouco do primeiro. Infelizmente, hoje com as maravilhas da internet qualquer um se vende como designer ou como diretor de arte e por isso, além de competir com seus colegas de profissão, você vai competir com os famosos “sobrinhos”. O segredo é encontrar uma maneira de se destacar.

c) Não é esse glamour todo.
Se você como eu pensa em entrar no mundo das agências e imagina que sua vida será de prêmios, campanhas maravilhosas e muita champanhe dentro da agência já aviso que não é tudo isso. Os prêmios existem e as campanhas maravilhosas também claro, mas não são muitos. Por isso, aproveite quando tiver a chance.

d) Você vai conhecer pessoas extremamente talentosas. Conecte-se a elas.
Uma das coisas mais legais que me mantém no ramo é a quantidade de pessoas incrivelmente talentosas que tive a oportunidade de conhecer. Com 2 meses ou 20 anos de mercado, são pessoas que me ajudam a crescer sempre. Por isso, expandir sua rede de contatos vai te ajudar não só a crescer como profissional, mas também a ficar conhecido no mercado da sua região. Você só tem a ganhar.

e) Os prazos são curtos sim e os jobs nem sempre vão acabar como você gostaria.
Na maioria dos casos você terá muito pouco tempo pra executar grandes ideias e a gente sabe que mexer com criação exige cuidado. Não se assuste. Em agências principalmente o prazo é apertado e o resultado final pode não ser o que você tinha imaginado no começo.

Quando comecei na área e o cliente pedia as famosas alterações, me dava agonia ver o caminho que o trabalho estava tomando. Com o tempo você passa a perceber que praticar o bom e velho desapego te ajuda a não ter dores de cabeça diárias sobre trabalho.

f) De tempos em tempos aparecem belos projetos.
Pra não dizer também que só temos pontos negativos, de vez em quando grandes projetos vão aparecer na sua mão. E não consigo te explicar, mas você precisa sentir a sensação no final de “nossa, isso vai para o meu portfólio”. É legal demais.

g) Não compare os mercados.
Só porque seu amigo colega da faculdade está em outro mercado e ainda ganhando o dobro do que você ganha na mesma função na sua cidade não significa que ele é melhor que você. Se compare sempre com outros dentro do seu próprio mercado.

h) Não se compare com os outros.
Criação (in)felizmente é um trabalho que mexe muito com o nosso ego, por isso temos a tendência de comparar nossos trabalhos com os de outras pessoas. Lembre-se sempre que elas estão em outros estágios da carreira e tiveram outras experiências. Sempre vai ter alguém na sua frente. Você vai chegar lá.

i) No fim das contas, estamos falando de trabalho.
Esse último já falei algumas vezes aqui no blog, mas criação é um trabalho como qualquer outro, independentemente de ser em agência, estúdio de design ou home office. E como todo trabalho tem dia que você vai sentir vontade de não ter levantado da cama. No dia seguinte pode ser que você não consiga criar absolutamente nada que considere adequado. Não se frustre. É assim mesmo.

j) Faça uma faculdade.
Meu intuito não é apontar qual faculdade é melhor ou se você deve fazer design ou propaganda, mas se a oportunidade aparecer faça uma que tenha a ver com a sua área de interesse. Faculdade não serve só pra aprender teoria, mas serve para conviver com pessoas com opiniões diferentes da sua. A troca de experiências é sempre muito rica e você só tem a ganhar com isso.

k) Não pare de aprender.
Essa última vale pra tudo (e quando digo tudo, é tudo MESMO). Estude, aprenda, tente e erre. Depois comece tudo outra vez.

E você? Quais pontos negativos e positivos encontrou quando entrou no mercado de trabalho? Sentiu muita diferença do que aprendeu na faculdade?

Até a próxima!

Photo via VisualHunt.com

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3 comentários Adicione o seu

  1. Chell disse:

    SINGULLLAAAAA, adorei! Mandei até no grupo da faculdade =D

    1. singulano disse:

      Aeeeee! Brigadão Chell! ❤
      Fiquei pensando desde q a gente conversou no shopping, aí saiu o texto! hahah

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