Design não é glamour

Dói né? E se eu disser que direção de arte também não?
Ok. Estou sendo um pouco duro, mas é necessário. Você vai entender.

Quem trabalha na área de criação normalmente é conhecido pelo seguinte esteriótipo: tatuagens, barba (no caso dos homens), óculos de armação grossa e tênis all-star. Você pode ir a uma reunião ou ir trabalhar super estiloso com as suas pulseiras ou aquela camisa “diferentona” que você comprou na Augusta em São Paulo. Afinal, você é designer. Você é o descoladão da agência. Você só faz a peça se for pra ganhar prêmio. Você só vai sair para o mercado se for pra virar diretor de arte.

Certo? Hmm, mais ou menos.

Aqui temos uma pegadinha. Muita gente que está entrando no mercado de comunicação acaba vislumbrado com esse universo descolado do design e da direção de arte e de alguma forma sente que vai ser mais divertido, mais leve do que outras profissões estressantes por aí. O problema acontece quando a pessoa se depara com o mercado de trabalho e percebe que a realidade não é bem essa. O que acontece? Um profissional frustrado trabalhando. E ninguém quer isso, certo?

Já conversamos um pouco sobre isso no blog, mas é um assunto que gosto de retomar de tempos em tempos com abordagens diferentes. Faz parte de uma série que poderia chamar de “coisas que gostaria que tivessem me dito sobre o mercado de design e direção de arte”.

O glamour some quando você recebe aquele job com alteração pela décima vez em uma semana. O glamour some quando o job é alterado da cor que você demorou 3 horas para escolher por uma que seu cliente disse “gosto dessa cor, coloca essa” ou quando você recebe uma referência com o pedido “quero um igual”. O estresse aparece quando você fica comendo pizza toda semana para ficar na agência trabalhando.

Sumiu toda a pompa do negócio né? Eu sei. Desanima um pouco ler esse tipo de coisa.

Falando assim, parece que nessa profissão não existe glamour nenhum, mesmo você indo trabalhar com aquelas 10 pulseiras novas e aquela camisa com estampa florida.

O que existe são obstáculos como qualquer outra profissão: desafios e problemas de comunicação que seu cliente precisa de uma solução. E rápido.

Sabendo disso, a frustração fica menor pois do outro lado existem momentos que vão fazer seus olhos brilharem e você percebe que o glamour que você tanto procurou, sempre esteve ali de alguma forma. Ele não é feito de roupas estilosas e tatuagens, ele é feito de muito estudo, trabalho e uma boa dose de café.

Não é naquele prêmio que você concorreu, mas é no sorriso de conversar com alguém que está começando e perceber que a pessoa está ali com você, porque realmente ama o que faz.  Não é naquela peça que você criou só para ganhar prêmio, mas é naquela peça que realmente atendeu as expectativas e necessidades do seu cliente. É aquela peça que realmente resolveu um problema de comunicação.

Pra mim, esse é o glamour que existe no design e na direção de arte. Se doar até o fim, mesmo com os obstáculos que possam aparecer e entender que eles fazem parte do seu processo como profissional de comunicação. Garanto que assim vai ser ainda mais especial porque você se manteve de pé até o fim.

Não é fácil, mas a vitória vai ser sua. E isso ninguém tira de você.

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Inspirado nas conversas com Lucaz Mathias, do Estúdio Cão.

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