(Co)criatividade

De tempos em tempos, você que assim como eu está no mercado de comunicação, vai perceber que algumas coisas são como a cor do ano da pantone ou as cores da estação: ditam a tendência do que vai ser nos próximos meses, ou no próximo ano.

Recentemente, ou pelo menos que eu tenho acompanhado nos últimos meses (e por favor, me corrija se eu estiver errado), o hype do momento é a tal da cocriatividade (aqui não só no mundo da comunicação, mas também no artesanato, educação, negócios e por aí vai…)

“Ah Singulano, quer dizer então, que você vai descer a lenha nisso no post de hoje?”

Não, mané. Muito pelo contrário. Cocriatividade é algo que muito me interessa e tenho ficado bem entusiasmado em ver esse assunto crescer tanto, inclusive tratei indiretamente sobre ele em alguns posts aqui no blog.

O que eu quero tratar aqui é que cocriatividade normalmente é abordada como aquelas páginas de Budismo do Facebook (e eu me incluo nisso também): todo mundo acha lindo e compartilha mil coisas sobre, mas ninguém realmente aplica alguma coisa de fato.

Se pensarmos de maneira bem simples, cocriação nada mais é do que criar algo, junto com outro indivíduo. Esse “algo” pode ser desde um bolo de chocolate, até uma campanha inteira de nível nacional.

“Singulano, mas na minha agência eu já faço uma cocriação com o redator que é a minha dupla”.

Ótimo, mas isso é o mínimo esperado (não estou desvalorizando esse processo ok? Conheço lugares que infelizmente isso não acontece). É algo que deve acontecer quase como “padrão do sistema”, por assim dizer.

O que tenho visto emergir em alguns lugares, principalmente agora que estou no meio das agências digitais é uma cocriação onde todas as áreas participam do processo de desenvolvimento de uma campanha. Criação dá pitaco no atendimento, o planejamento dá pitaco no monitoramento, o monitoramento dá sugestões para o planejamento, o atendimento fala da criação e assim entramos num ciclo onde todos têm voz.

E por que isso é muito legal?

Oras, supondo que estamos falando de planejamento, criação e atendimento por exemplo. Cada equipe conta com 5 pessoas, ou seja 15 pessoas ao todo.
Cada uma dessas 15 pessoas possui um olhar diferente não só em relação à comunicação, mas também a vida como um todo, ou seja, a bagagem que eles carregam nas costas até a sala de reunião na hora do tão querido brainstorm (sei que você adora) é diferente da que você está levando (lembra quando falamos se só o briefing salva? É basicamente a mesma história).

Pense no potencial que uma estrutura mais horizontalizada como essa tem. Ao invés da criação achar que manda e dita 100% na direção de arte e do planejamento achar que manda e dita 100% na estratégia, todos deixam o ego um pouquinho de lado (falando pelo lado da criação, temos sempre a tendência a nos apegar demais e deixar o ego falar mais alto em cima de uma peça ou campanha não é?) para contribuir com algo maior.

Cocriação pra mim é um pouco isso. Juntar pontos de vista e experiências diferentes, num único sentido para potencializar ainda mais as entregas “lááááááá” no final da linha de trabalho. Aos poucos essa coisa do “deixa que da minha área eu cuido” deve dar lugar para o “o que você acha disso?” ou “e se a gente fizesse dessa forma?”.

Por isso, além de entender nossas limitações pra poder dizer “Isso não é comigo!”, é importante também acompanharmos esse movimento MUITO positivo que está num caminho muito interessante dessa horizontalização, onde todos têm voz ativa e a criação dá nome para o time inteiro e não só para o diretor de arte e o redator.

Agora, não ache que eu sou inocente para acreditar, que isso já está 100% funcionando a mil maravilhas em grandes agências e que assim os processos funcionam 400% e a qualidade das entregas aumenta em 700%.

Entendo que no dia a dia a coisa é um pouco diferente e que obstáculos aparecem. Esse processo não deve funcionar perfeitamente 100% do tempo. Contudo, acredito que é um ótimo momento para pegarmos carona nessa vibe boa que está crescendo com a cocriação. Deixar um pouco esse lance de cada área no seu canto e entender que opiniões diferentes não estão ali pra te atrapalhar e sim pra potencializar o resultado final do trabalho.

Por isso, quero que dá próxima vez que você pensar em cocriação, pense em como aplicar isso no seu dia a dia. Tenho pensado muito nesse assunto e tem sido um desafio tentar colocar isso em prática (nem sempre funciona, como eu disse acima), mas o resultado final sempre têm um gostinho diferente quando dá certo.

Garanto que todo mundo só tem a ganhar com isso. 🙂

Até a próxima!

 

 

 

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