Saí pro mercado, e aí? 3.1

Recentemente uma pessoa me procurou dizendo que leu um texto meu da época de faculdade dando conselhos para quem estava começando na área de Design / Direção de Arte. Tentei encontrar o texto (com uma leve vergonha do que poderia estar escrito), mas confesso que nem me lembro onde está. De qualquer forma, pensei “Poxa, vou escrever no blog sobre isso!” e relembrando alguns textos já publicados percebi que já fiz um post sobre isso chamado Saí pro mercado, e aí?.

Contudo, esse post já é de quase 2 anos atrás e MUITA coisa mudou desde então, por isso resolvi editá-lo e criar o “Saí pro mercado, e aí? 3.1” (já que estou com meus 31 anos). Acrescentei algumas coisas, tirei outras tantas que já não considero tão relevantes assim. Quem sabe consiga atingir alguém que está passando pelas mesmas dúvidas pelas quais a pessoa que me procurou está passando.

a) O cargo que você vai ter é apenas um nome, e nada mais.
O que quero dizer é que ter apenas o cargo (ser diretor de arte, por exemplo), não deve ser seu objetivo final, mas sim uma consequência do seu trabalho. Eu saí da faculdade com a imagem errada que ser diretor de arte me garantiria um status mais alto (inclusive financeiramente falando) dentro das agências de comunicação em geral. A realidade é um pouco diferente e por conta do item B, você vai ver que nossa profissão acaba se desvalorizando cada dia mais.

b) Tem outras mil pessoas dizendo que fazem o que você faz.
Esse ponto reforça um pouco do primeiro. Infelizmente, hoje com as maravilhas da internet qualquer um se vende como designer ou como diretor de arte e por isso, além de competir com seus colegas de profissão, você vai competir com os famosos “sobrinhos”. O segredo é bater o pé e fazer valer todo o seu estudo e toda sua preparação seja na faculdade ou dentro do seu próprio quarto assistindo tutoriais. Tudo isso levou tempo e você DEVE cobrar por isso. Não é porque alguém cobra 200 reais (valor fictício, ok?) para um folder que você tem que cobrar 150.

c) Você vai conhecer pessoas extremamente talentosas. Conecte-se a elas.
Uma das coisas mais legais que me mantém no ramo até hoje (ano que vem completo 10 anos de formado!) é a quantidade de pessoas incrivelmente talentosas que tive a oportunidade de conhecer. Com 2 meses ou 20 anos de mercado, são pessoas que me ajudam a crescer sempre. Por isso, expandir sua rede de contatos vai te ajudar não só a crescer como profissional, mas também a ficar conhecido no mercado da sua região (acredite, garanto que o mercado de comunicação da sua cidade é igual cidade pequena: todo mundo se conhece).

Por isso, conheça pessoas que não necessariamente fazem parte da sua área de trabalho. Saia um pouco da bolha! Conecte-se com planejadores, atendimentos, produtores gráficos, fotógrafos, editores, produtores, a moça do café, o responsável de TI. Todos eles podem ensinar algo pra você (e você pra eles). Marque almoços, combine cafés….FALE (E ESCUTE TAMBÉM HEIN!)

d) Os prazos são curtos sim e os jobs nem sempre vão acabar como você planejou.
Na maioria dos casos você terá muito pouco tempo pra executar grandes ideias e a gente sabe que mexer com criação exige cuidado. Não se assuste. Em agências principalmente o prazo é apertado e o resultado final pode não ser o que você tinha imaginado no começo.

Quando comecei na área e o cliente pedia as famosas alterações, em alguns casos me dava agonia ver o caminho que o trabalho estava tomando. Com o tempo você passa a perceber que praticar o bom e velho desapego te ajuda a não ter dores de cabeça diárias sobre trabalho.

Faça sempre o seu melhor. Brigue, defenda, pergunte e argumente. Entretanto, tem dia que é como um jogo de copa do mundo: não dá pra ganhar sempre. Respire fundo e bora pro próximo projeto. É assim mesmo.

e) De tempos em tempos aparecem belos trabalhos que vão para seu portfólio.
Pra não dizer também que só temos pontos negativos, de vez em quando grandes projetos vão aparecer na sua mão. E não consigo te explicar, mas você precisa sentir a sensação no final de “nossa, isso vai para o meu portfólio”. É legal demais.

f) Não compare os mercados.
Só porque seu amigo colega da faculdade está em outro mercado e ainda ganhando o dobro do que você ganha na sua cidade não significa que ele é melhor que você. Só significa que são realidades diferentes. Pense apenas no que é melhor pra você, dentro do momento que você está vivendo e se for o caso vá para outro mercado, porque não?

g) Não se compare com os outros.
Criação (in)felizmente é um trabalho que mexe muito com o nosso ego, por isso temos a tendência de comparar nossos trabalhos com os de outras pessoas. Lembre-se sempre que elas estão em outros estágios da carreira e tiveram experiências de vida muito diferentes da sua. Sempre vai ter alguém na sua frente. Você vai chegar lá.

h) Não tenha medo de se expôr.
Esse ponto talvez soe estranho considerando que acabei de falar para você não se comparar com os outros, mas quando digo para expor o seu trabalho é para que você sirva de combustível e vire modelo para outros que estão começando. Da mesma maneira que você vai chegar lá, outras pessoas querem chegar também.

Ainda, garanto que assim que receber o primeiro elogio no portfólio, você vai querer produzir mais e mais pra ver até onde pode chegar!

i) No fim das contas, estamos falando de trabalho.
Esse último já falei algumas vezes aqui no blog, mas criação é um trabalho como qualquer outro, independentemente de ser em agência, estúdio de design ou home office. E como todo trabalho tem dia que você vai sentir vontade de não ter levantado da cama ou vai passar das 9h às 18h olhando para a tela do computador. No dia seguinte pode ser que você não consiga criar absolutamente nada que considere adequado. Não se frustre. É assim mesmo. São fases.

j) Não pare de aprender.
Essa última vale pra tudo (e quando digo tudo, é tudo MESMO). Estude, aprenda, tente e erre. Depois comece tudo outra vez. Leia, veja referências, ouça músicas diferentes, experimente comidas diferentes. Tudo isso é aprendizado.

Invista em projetos pessoais. São incrivelmente libertadores para o aprendizado de coisas novas ou mesmo para colocar em prática aquelas ideias que não foram pra frente dentro do horário comercial.

E você? Concorda com os pontos? Acrescentaria alguma coisa?

Até a próxima!

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2 comentários Adicione o seu

  1. Chell disse:

    Não se compare com os outros. Melhor ressaltar essa: Não se compare com os outros.
    De novo Não se compare com os outros. rssss

    1. singulano disse:

      Hahahah concordo que é o mais importante (e um dos mais difíceis de vencer)

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