Tá tudo bem

Sou um simpatizante do Budismo. Não digo que sou budista, pois não pratico nem 1% do que é ensinado ali e talvez passe o resto da minha vida aprendendo sobre. Contudo, o que quero tratar nesse post não é sobre religião, mas algo que ouvi de uma monja budista, durante as minhas andanças sobre textos e vídeos sobre o assunto e achei muito interessante.

Ela diz o seguinte: tem dia que tá tudo bem, mas tem dia que dá tudo errado e tá tudo bem também.

Quando ouvi essa frase a primeira vez pensei: “Poxa, e não é que é mesmo?”

Basicamente, a ideia que ela traz é de que precisamos aceitar os pequenos obstáculos e as derrotas que aparecem durante a vida. Podem ser coisas pequenas (como um pneu furado no carro) ou grandes (como a perda de um ente querido).

Esse movimento felizmente bate de frente com algo que me incomoda muito: por mais que a pressão profissional e pessoal sejam gigantescas (você precisa render, você precisa estudar, você precisa ganhar dinheiro, você precisa ter um carro, você precisa ter uma casa e por aí vai…), no final do dia “estamos todos felizes” nas redes sociais enquanto aguardamos o número de curtidas daquela foto do jantar ou da academia aumentar.

Contudo, sabemos que em sua grande maioria, essa felicidade não é real.

Volto no que a monja disse: tem dia que tá tudo errado e tá tudo bem também.

Abraçar essas pequenas ou grandes derrotas que aparecem não te faz mais uma pessoa mais fraca, mas sim uma pessoa que tem autoconhecimento.

Processar diferentes tipos de problema gera uma noção maior de quem somos e de quem queremos ser. A partir do momento que nos conhecemos melhor, conseguimos nos relacionar mais assertivamente com outras pessoas, pois nos enxergamos nelas. Querendo ou não, guardada as devidas proporções, todos enfrentamos as mesmas coisas (em momentos diferentes da vida, claro).

Faça a “matemática”. Dentro desse processo temos nada mais, nada menos que a tão almejada empatia.

O que é interessante aqui é que esse autoconhecimento gera uma série de efeitos colaterais muito interessantes, mas o que eu mais gosto sem dúvida nenhuma é que conseguimos viver de uma maneira um pouco mais leve, pois entender que esses obstáculos fazem parte da vida tira um pouco esse peso enorme da cobrança diária “pra ser feliz”.

Sendo assim, precisamos abandonar essa positividade tóxica (como ando lendo por aí) e focar um pouco mais no fato de que o que torna a vida tão diversa e tão interessante é essa mistura de momentos positivos e negativos.

Agora, obviamente não estou dizendo que é um processo fácil. É difícil sim. E muito. Tem dia que vai dar aquela vonta de louca de sair correndo e se esconder do mundo, mas lembre-se de que tá tudo bem também.

Autoconhecimento gera empatia. Empatia gera um mundo melhor. E só temos a ganhar com isso.

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Dica da querida amiga Joyce Maíra:
“O correr da vida embrulha tudo; a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. Ser capaz de ficar alegre e mais alegre no meio da alegria, e ainda mais alegre no meio da tristeza…”

Guimarães Rosa.


Texto bem legal do Papo de Homem, que também fala um pouco sobre esse assunto.
Sofrer faz parte, e faz bem.









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